Menopausa além dos hormônios:
Nova opção amplia tratamento para ondas de calor
Aprovado pela Anvisa, medicamento não hormonal pode beneficiar mulheres com contraindicação à terapia hormonal
Ondas de calor intensas, suores noturnos, noites mal dormidas e impacto na rotina de trabalho ainda são sintomas que impactam muitas mulheres. A aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de uma nova opção não hormonal para tratar sintomas vasomotores moderados a intensos associados ao climatério amplia as possibilidades de cuidado, especialmente para pacientes que não podem ou não desejam fazer terapia hormonal.
O medicamento fezolinetanto, aprovado no Brasil em junho de 2026, atua de forma diferente da terapia hormonal tradicional. Em vez de repor estrogênio, ele age em uma região do cérebro relacionada ao controle da temperatura corporal, ajudando a reduzir ondas de calor e suores noturnos.
Segundo a médica ginecologista e membro da diretoria da Sogimig, Gisele Vissoci Marquini, a novidade representa um avanço importante para mulheres que conviviam com sintomas intensos e poucas alternativas terapêuticas.
“Para mulheres com contraindicação à terapia hormonal, essa possibilidade representa uma ressignificação do tratamento do climatério. É uma forma de devolver qualidade de vida para pacientes que muitas vezes ouviam que não havia muito a ser feito”, explica.
Entre as pacientes que podem ser mais impactadas estão mulheres com histórico ou tratamento atual de câncer de mama, câncer de endométrio, sangramentos uterinos sem diagnóstico definido, antecedentes de trombose e doenças cardiovasculares importantes, situações que exigem cautela ou podem contraindicar a terapia hormonal convencional. A alternativa também pode ser considerada para mulheres que, mesmo após orientação médica, não se sentem seguras para utilizar hormônios.
Apesar do avanço, a especialista reforça que o tratamento não deve ser entendido como substituto automático da terapia hormonal. Segundo ela, cada abordagem tem indicações, benefícios e limitações.
“A terapia hormonal pode atuar em diferentes aspectos da menopausa, como melhora de sintomas genitourinários, melhor desempenho do metabolismo, prevenção de perda de massa óssea e outros efeitos relacionados à queda hormonal. Já o fezolinetanto tem ação voltada principalmente para ondas de calor e sudorese noturna. Por isso, ele não substitui necessariamente a terapia hormonal, mas amplia as opções de tratamento”, afirma.
Os sintomas vasomotores podem afetar diretamente a vida diária das mulheres. As ondas de calor, especialmente à noite, prejudicam o sono e, consequentemente, a disposição, o desempenho no trabalho, os relacionamentos e a saúde emocional.
“Quando conseguimos controlar os sintomas noturnos, muitas mulheres retomam sua rotina com mais energia, melhor sono e mais qualidade de vida. Não se trata apenas de aliviar calorões, mas de reduzir um impacto que pode ser físico, emocional e social”, destaca Gisele.
A nova opção também muda a conversa no consultório. Para a médica, ampliar as opções terapêuticas fortalece a autonomia da paciente e permite decisões mais compartilhadas entre profissional e mulher.
“Essa alternativa abre novas oportunidades para que a paciente participe ativamente da decisão sobre o próprio tratamento. Ela pode entender as possibilidades, avaliar riscos e benefícios e escolher, junto com o médico, o caminho mais adequado para sua realidade”, pontua.
Antes de iniciar qualquer tratamento para sintomas da menopausa, a orientação é passar por avaliação médica. Mesmo quando a opção escolhida não é hormonal, a consulta ginecológica continua sendo fundamental para rastreamento de câncer de mama, investigação de sangramentos, avaliação do endométrio e prevenção de doenças cardiovasculares.
Atendimento individualizado
“O climatério é uma oportunidade importante para olhar a saúde da mulher de forma global. Independentemente de usar ou não terapia hormonal, é essencial manter consultas regulares e realizar os exames recomendados”, reforça.
Para a especialista, a chegada de novas alternativas também evidencia que o climatério não deve ser tratado como uma experiência igual para todas. Sintomas, riscos, histórico pessoal, preferências e expectativas precisam ser considerados na escolha terapêutica.
“As mulheres são diferentes, e o tratamento deve respeitar essa individualidade. Quando o cuidado é individualizado e respaldado pela medicina baseada em evidências, a chance de adesão e sucesso é maior”, afirma.
As mulheres que convivem com sintomas intensos não devem normalizar o sofrimento. Vergonha, medo e desinformação ainda afastam muitas pacientes do atendimento adequado.
“Não sofram caladas. Busquem orientação com profissionais de confiança e evitem informações desencontradas, especialmente nas redes sociais. A menopausa não é o fim; é o início de uma nova fase, que pode ser vivida com saúde, acolhimento e qualidade de vida”, conclui.
Sobre a Sogimig
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