Sociedades de Especialidades
GINECOLOGIA
A Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig) foi fundada em 02 de junho de 1945 . A entidade atua em todo o Estado de Minas Gerais e possui relações com associações congêneres, do país e no exterior. A entidade é filiada à Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Seus pilares de ação são a atualização científica, defesa profissional, valorização profissional e interiorização. A SOGIMIG mantem parcerias com as entidades envolvidas com a defesa profissional e a saúde da mulher, nossos objetivos são a educação continuada, melhores condições de trabalho e valorização para o ginecologista e obstetra mineiro.
O PROFISSIONAL
Ginecologia e obstetrícia é uma especialidade médica que opera no campo da obstetrícia e da ginecologia e à qual se acede após treinamento de pós-graduação universitária para o acompanhamento da saúde reprodutiva da mulher e para o tratamento de complicações obstétricas, incluída a prática cirúrgica.
ASSOCIAÇÃO DOS GINECOLOGISTAS E OBSTETRAS DE MINAS GERAIS
Presidente: Dr. Eduardo Batista Cândido
NOTÍCIAS

Mortalidade materna
Mortalidade materna:Sinais de alerta podem salvar vidas na gravidez e no pós-parto Especialista reforça que pré-natal qualificado, atenção à pressão alta, infecções, sangramentos e acompanhamento no pós-parto são fundamentais para reduzir mortes maternas evitáveis. A morte de uma mulher durante a gestação, no parto ou o pós-parto ainda é um dos principais desafios da saúde pública no Brasil. Segundo os últimos dados oficiais do Ministério da Saúde (2024), o país registra razão de mortalidade materna de 56,4 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. O número mostra a distância em relação à meta brasileira dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que prevê reduzir esse indicador para, no máximo, 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030. Para alcançar esse patamar, o Brasil precisará reduzir a mortalidade materna em aproximadamente 47%. Segundo a médica ginecologista e membro da diretoria da Sogimig, Ana Christina de Lacerda Lobato, muitas complicações graves podem ser evitadas quando há acompanhamento adequado, identificação precoce de riscos e atendimento oportuno durante a gestação, o parto e o puerpério. “Apesar dos avanços, a mortalidade materna ainda precisa ser tratada como prioridade. Muitas complicações podem ser prevenidas ou controladas quando há pré-natal qualificado, reconhecimento rápido dos sinais de alerta e assistência adequada no parto e no pós-parto”, explica. Entre as principais causas de preocupação estão hemorragias obstétricas, distúrbios hipertensivos, infecções, complicações do aborto e doenças pré-existentes agravadas pela gestação. A médica reforça que o cuidado não deve terminar com o nascimento do bebê, já que parte importante das complicações pode acontecer no período puerperal. Pré-natal além dos exames Na prática, uma consulta de pré-natal bem feita não se limita à solicitação de exames ou ao preenchimento de registros no prontuário. O acompanhamento identifica fatores de risco, monitora a evolução da gestação, orienta a mulher sobre sinais de alerta e garante encaminhamento rápido quando necessário. “Uma consulta apenas protocolar pode deixar passar situações importantes. O pré-natal deve olhar para a mulher de forma integral, com sua evolução, e permite agir antes que uma complicação se agrave”, destaca Ana Christina. A médica destaca que os distúrbios hipertensivos estão entre as complicações mais graves da gestação. A pressão alta pode surgir durante a gravidez ou estar relacionada a uma condição pré-existente, exigindo acompanhamento mais cuidadoso. Entre os sinais que podem indicar pré-eclâmpsia ou outro quadro hipertensivo grave estão dor de cabeça intensa e persistente, visão embaçada ou com pontos luminosos, dor forte na parte superior do abdômen, inchaço súbito no rosto, mãos ou pernas, falta de ar, redução da quantidade de urina e elevação da pressão arterial. “A pré-eclâmpsia pode evoluir rapidamente para quadros graves. Por isso, reconhecer sinais de alerta e procurar atendimento imediatamente é fundamental para reduzir riscos para a mãe e o bebê”, orienta. Já as infecções urinárias e genitais, muitas vezes vistas como simples, precisam ser investigadas e tratadas corretamente durante a gestação. Em alguns casos, podem evoluir para pielonefrite, sepse materna, parto prematuro, ruptura prematura das membranas e baixo peso ao nascer. A especialista lembra que algumas infecções urinárias podem ser assintomáticas. Por isso, o rastreamento no pré-natal é essencial: “Identificar e tratar precocemente infecções reduz complicações para a mãe e para o bebê. Mesmo quando não há sintomas evidentes, o acompanhamento regular permite fazer esse controle”, afirma. Quando procurar atendimento imediatamente? Durante a gravidez, alguns sintomas não devem esperar a próxima consulta. A gestante deve procurar atendimento imediatamente diante de sangramento vaginal, perda de líquido pela vagina, febre, dor de cabeça forte e persistente, alterações visuais, inchaço súbito, falta de ar, convulsões, diminuição ou ausência dos movimentos do bebê e contrações antes de 37 semanas. Esses sinais podem indicar complicações como hemorragias, infecções, pré-eclâmpsia ou trabalho de parto prematuro. “Na dúvida, a gestante deve procurar atendimento. É melhor avaliar e descartar uma complicação do que perder o tempo adequado de intervenção”, reforça. A especialista ainda acrescenta que todo sangramento durante a gestação deve ser avaliado por um profissional de saúde. Embora nem sempre indique um quadro grave, pode estar relacionado a situações como abortamento, gravidez ectópica, descolamento prematuro da placenta ou placenta prévia. No pós-parto, a atenção também deve ser redobrada. Sangramento intenso, eliminação de coágulos, palidez, tontura, desmaio, dor abdominal forte ou queda de pressão podem indicar hemorragia pós-parto, uma emergência obstétrica. “A avaliação objetiva do sangramento nas primeiras horas após o parto permite agir rapidamente, com medidas preventivas e terapêuticas, reduzindo o risco de complicações graves”, explica a médica. Para Ana Christina, um dos erros mais comuns é concentrar toda a atenção no bebê e deixar a mulher em segundo plano após o nascimento. “A assistência não acaba quando o bebê nasce. O puerpério é um período de risco e precisa de vigilância, orientação e acesso ao serviço de saúde”, afirma. Parto: decisão individualizada A cesariana pode salvar vidas quando bem indicada. No entanto, a decisão sobre a via de parto deve considerar as condições clínicas, os riscos e benefícios de cada situação. O diálogo entre médico e paciente é essencial para que a mulher compreenda as indicações da cesariana, os benefícios do parto vaginal quando não há contraindicações e os riscos envolvidos em qualquer procedimento. “A decisão deve ser compartilhada, com informação clara e avaliação individualizada. Isso fortalece a autonomia da paciente e contribui para uma assistência mais segura e humanizada”, destaca. Por fim, a médica afirma que a família também tem papel importante em todos esses momentos: “A rede de apoio deve conhecer os sinais de alerta, ajudar a mulher a buscar atendimento quando necessário e entender que o cuidado continua depois do parto”. Sobre a SogimigA Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais é uma entidade filiada à Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Trabalha para a atualização científica e para a defesa e valorização dos profissionais da área. Contato para imprensa:Flávio AmaralAssessoria de Imprensa Sogimig(31) 9 9235-9531 | flavio@maisinovacao.com.br+Inovação | Comunicação e Estratégias Inteligentes.

Menopausa além dos hormônios
Menopausa além dos hormônios: Nova opção amplia tratamento para ondas de calor Aprovado pela Anvisa, medicamento não hormonal pode beneficiar mulheres com contraindicação à terapia hormonal Ondas de calor intensas, suores noturnos, noites mal dormidas e impacto na rotina de trabalho ainda são sintomas que impactam muitas mulheres. A aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de uma nova opção não hormonal para tratar sintomas vasomotores moderados a intensos associados ao climatério amplia as possibilidades de cuidado, especialmente para pacientes que não podem ou não desejam fazer terapia hormonal. O medicamento fezolinetanto, aprovado no Brasil em junho de 2026, atua de forma diferente da terapia hormonal tradicional. Em vez de repor estrogênio, ele age em uma região do cérebro relacionada ao controle da temperatura corporal, ajudando a reduzir ondas de calor e suores noturnos. Segundo a médica ginecologista e membro da diretoria da Sogimig, Gisele Vissoci Marquini, a novidade representa um avanço importante para mulheres que conviviam com sintomas intensos e poucas alternativas terapêuticas. “Para mulheres com contraindicação à terapia hormonal, essa possibilidade representa uma ressignificação do tratamento do climatério. É uma forma de devolver qualidade de vida para pacientes que muitas vezes ouviam que não havia muito a ser feito”, explica. Entre as pacientes que podem ser mais impactadas estão mulheres com histórico ou tratamento atual de câncer de mama, câncer de endométrio, sangramentos uterinos sem diagnóstico definido, antecedentes de trombose e doenças cardiovasculares importantes, situações que exigem cautela ou podem contraindicar a terapia hormonal convencional. A alternativa também pode ser considerada para mulheres que, mesmo após orientação médica, não se sentem seguras para utilizar hormônios. Apesar do avanço, a especialista reforça que o tratamento não deve ser entendido como substituto automático da terapia hormonal. Segundo ela, cada abordagem tem indicações, benefícios e limitações. “A terapia hormonal pode atuar em diferentes aspectos da menopausa, como melhora de sintomas genitourinários, melhor desempenho do metabolismo, prevenção de perda de massa óssea e outros efeitos relacionados à queda hormonal. Já o fezolinetanto tem ação voltada principalmente para ondas de calor e sudorese noturna. Por isso, ele não substitui necessariamente a terapia hormonal, mas amplia as opções de tratamento”, afirma. Os sintomas vasomotores podem afetar diretamente a vida diária das mulheres. As ondas de calor, especialmente à noite, prejudicam o sono e, consequentemente, a disposição, o desempenho no trabalho, os relacionamentos e a saúde emocional. “Quando conseguimos controlar os sintomas noturnos, muitas mulheres retomam sua rotina com mais energia, melhor sono e mais qualidade de vida. Não se trata apenas de aliviar calorões, mas de reduzir um impacto que pode ser físico, emocional e social”, destaca Gisele. A nova opção também muda a conversa no consultório. Para a médica, ampliar as opções terapêuticas fortalece a autonomia da paciente e permite decisões mais compartilhadas entre profissional e mulher. “Essa alternativa abre novas oportunidades para que a paciente participe ativamente da decisão sobre o próprio tratamento. Ela pode entender as possibilidades, avaliar riscos e benefícios e escolher, junto com o médico, o caminho mais adequado para sua realidade”, pontua. Antes de iniciar qualquer tratamento para sintomas da menopausa, a orientação é passar por avaliação médica. Mesmo quando a opção escolhida não é hormonal, a consulta ginecológica continua sendo fundamental para rastreamento de câncer de mama, investigação de sangramentos, avaliação do endométrio e prevenção de doenças cardiovasculares. Atendimento individualizado “O climatério é uma oportunidade importante para olhar a saúde da mulher de forma global. Independentemente de usar ou não terapia hormonal, é essencial manter consultas regulares e realizar os exames recomendados”, reforça. Para a especialista, a chegada de novas alternativas também evidencia que o climatério não deve ser tratado como uma experiência igual para todas. Sintomas, riscos, histórico pessoal, preferências e expectativas precisam ser considerados na escolha terapêutica. “As mulheres são diferentes, e o tratamento deve respeitar essa individualidade. Quando o cuidado é individualizado e respaldado pela medicina baseada em evidências, a chance de adesão e sucesso é maior”, afirma. As mulheres que convivem com sintomas intensos não devem normalizar o sofrimento. Vergonha, medo e desinformação ainda afastam muitas pacientes do atendimento adequado. “Não sofram caladas. Busquem orientação com profissionais de confiança e evitem informações desencontradas, especialmente nas redes sociais. A menopausa não é o fim; é o início de uma nova fase, que pode ser vivida com saúde, acolhimento e qualidade de vida”, conclui. Sobre a SogimigA Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais é uma entidade filiada à Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Trabalha para a atualização científica e para a defesa e valorização dos profissionais da área. Contato para imprensa:Flávio AmaralAssessoria de Imprensa Sogimig(31) 9 9235-9531 | flavio@maisinovacao.com.br+Inovação | Comunicação e Estratégias Inteligentes.

Ginecologia: 1ª consulta
Primeira consulta ao ginecologista: Quando marcar e o que esperar desse atendimento? Médica esclarece dúvidas comuns de pais e responsáveis e reforça que a primeira ida ao consultório tem caráter educativo e preventivo. Quando deve ser a primeira consulta ao ginecologista? A dúvida é comum entre pais e responsáveis e, muitas vezes, vem acompanhada de insegurança, tabus e medo de expor meninas e adolescentes a um atendimento considerado “adulto” antes da hora. No entanto, essa primeira avaliação não está necessariamente ligada ao início da vida sexual e pode ser um momento importante para orientar sobre puberdade, menstruação, vacinação, hábitos saudáveis e saúde reprodutiva. Foto: imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial. Segundo a médica ginecologista e membro da diretoria da Sogimig, Mariana Seabra, a primeira consulta tem, na maioria das vezes, caráter educativo e preventivo. O objetivo é criar um vínculo de confiança, esclarecer dúvidas e ajudar a adolescente a compreender as mudanças do próprio corpo com segurança. 1. Qual é o momento mais indicado para a primeira consulta? Não existe uma idade única para a primeira ida ao ginecologista. A avaliação inicial pode acontecer a partir da primeira menstruação ou entre 13 e 15 anos, mesmo que a adolescente ainda não tenha iniciado a vida sexual. Essa primeira consulta permite orientar sobre as mudanças da puberdade, ciclo menstrual, vacinação, hábitos saudáveis e saúde reprodutiva, além de criar um vínculo de confiança com o médico. 2. A consulta deve acontecer apenas se houver algum problema? Não. A primeira consulta também pode ter papel preventivo. Mesmo sem queixas, o acompanhamento ajuda a adolescente e a família a entenderem o que é esperado nessa fase e quais sinais merecem atenção. O consultório pode ser um espaço para falar sobre menstruação, cólicas, higiene íntima, corrimentos, desenvolvimento puberal e dúvidas relacionadas às transformações físicas e emocionais da adolescência. 3. Quais sinais indicam que a consulta deve ser antecipada? Algumas situações exigem avaliação antes da faixa etária habitual. Entre elas estão sinais de puberdade precoce ou muito tardia, ausência da primeira menstruação na idade esperada, cólicas intensas ou incapacitantes, dor pélvica persistente, sangramentos menstruais muito intensos ou irregulares, alterações na região genital, suspeita de abuso sexual ou qualquer dúvida importante da criança, da adolescente ou da família. Nesses casos, a consulta ajuda a esclarecer o diagnóstico e iniciar o tratamento quando necessário. 4. A primeira consulta envolve exame ginecológico? Na maioria das vezes, não. A primeira avaliação costuma ser principalmente uma conversa. O médico busca conhecer a adolescente, entender sua história, esclarecer dúvidas e orientar sobre o funcionamento do corpo, puberdade e saúde sexual. O exame físico geral pode ser realizado quando indicado, mas o exame ginecológico específico raramente é necessário nesse primeiro atendimento. Quando há indicação clínica, tudo deve ser explicado previamente, respeitando idade, privacidade, conforto e consentimento da paciente. 5. Como pais e responsáveis podem lidar com tabus sobre o assunto? O primeiro passo é entender que levar a adolescente ao ginecologista não significa antecipar discussões, mas oferecer informação segura e cuidado preventivo. O tema deve ser tratado com naturalidade, sem medo ou constrangimento. A consulta também pode ajudar os responsáveis a conduzirem conversas importantes sobre saúde, limites, prevenção, vacinação e autocuidado. Criar um ambiente de confiança é fundamental para que a adolescente se sinta segura para tirar dúvidas e buscar ajuda sempre que necessário. Os pais e responsáveis não devem esperar apenas o surgimento de sintomas para buscar acompanhamento. A primeira consulta pode ser uma oportunidade para transformar dúvidas em informação e fortalecer o cuidado com a saúde da mulher desde cedo. Sobre a SOGIMIGA Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais é uma entidade filiada à Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Trabalha para a atualização científica e para a defesa e valorização dos profissionais da área. —————————- Contato para imprensa:Flávio AmaralAssessoria de Imprensa Sogimig(31) 9 9235-9531 | flavio@maisinovacao.com.br+Inovação | Comunicação e Estratégias Inteligentes.

Sogimig capacita médicos
Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+ Preconceito, desinformação e barreiras estruturais ainda dificultam acesso à saúde ginecológica SOGIMIG capacita médicos e alerta para mitos que afastam população LGBTQIAPN+ dos consultórios O Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, celebrado em 28 de junho, é um marco histórico de luta por direitos e igualdade. Na área da saúde, a data levanta um debate urgente e necessário: como garantir que o acesso aos cuidados ginecológicos e obstétricos seja, de fato, universal, seguro e livre de preconceitos? Para a Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG), a resposta começa pela educação médica e pela quebra da heteronormatividade dentro dos consultórios. Foto: imagem gerada por inteligência artificial. Apesar dos avanços recentes, as barreiras ainda são reais. Para o médico e membro da diretoria da Sogimig, Eduardo Siqueira, o preconceito — seja ele explícito ou velado — é o primeiro grande obstáculo. “Muitas pessoas LGBTQIAPN+ relatam experiências de discriminação, julgamentos morais e questionamentos sobre sua identidade de gênero, orientação sexual ou configuração familiar. Tudo isso gera insegurança e pode afastar essas pessoas dos serviços de saúde”, afirma. Além das atitudes discriminatórias, existem barreiras institucionais que muitas vezes passam despercebidas. Formulários que não contemplam diferentes identidades de gênero, dificuldades para registrar o nome social e limitações em sistemas de atendimento ainda fazem parte da rotina de diversos serviços. “Em muitos casos, os próprios sistemas não estão preparados para atender às necessidades dessas pessoas. Um homem trans que possui colo do útero, por exemplo, pode encontrar dificuldades até mesmo para realizar um exame preventivo por causa da forma como o serviço foi estruturado”, explica o especialista. O que faz um atendimento ser verdadeiramente acolhedor? Para Eduardo, a premissa básica do cuidado é o reconhecimento do indivíduo como uma pessoa única. O acolhimento começa em atitudes que devem ser o padrão da prática médica: respeitar a identidade e a expressão de gênero, utilizar o nome social e os pronomes adequados e praticar uma escuta qualificada. “Não devemos presumir orientações sexuais, práticas, desejos reprodutivos ou configurações familiares com base apenas na aparência. O foco deve estar nas necessidades da pessoa, criando um ambiente seguro para que ela possa relatar suas questões”, pontua o especialista. Derrubando mitos que colocam a saúde em risco Segundo o diretor da SOGIMIG, a desinformação ainda afasta muitos pacientes dos consultórios ou gera negligência com cuidados vitais. Ele elenca e desmistifica os principais equívocos: Saúde sexual e a formação de novas famílias No campo da saúde sexual e reprodutiva, a SOGIMIG destaca a importância da “prevenção combinada”, que inclui o uso de preservativos, profilaxias como PrEP e PEP, a inclusão da DoxyPEP (profilaxia para evitar sífilis, gonorreia e clamídia em populações específicas) e a vacinação contra o HPV e as Hepatites A e B. Outro ponto de avanço nos consultórios ginecológicos e nas clínicas de reprodução assistida é o debate sobre a parentalidade. “As configurações familiares são diversas. Ouvir os desejos reprodutivos, orientar sobre a preservação da fertilidade antes de terapias hormonais ou cirurgias de afirmação de gênero, e planejar a gestação são partes essenciais da assistência”, ressalta o Eduardo. Formação médica: um desafio que ainda precisa avançar Embora a discussão sobre diversidade sexual e de gênero esteja cada vez mais presente na sociedade, a formação dos profissionais de saúde ainda enfrenta desafios para abordar o tema de forma ampla e estruturada. Segundo o médico, muitos cursos de graduação e programas de especialização ainda oferecem pouco espaço para a discussão das necessidades específicas da população LGBTQIAPN+, o que pode impactar diretamente a qualidade da assistência. Por outro lado, ele destaca avanços importantes, como o aumento da produção científica voltada à saúde dessa população, a criação de protocolos mais inclusivos, o fortalecimento de serviços especializados e o crescimento do debate sobre parentalidade e diversidade familiar dentro da ginecologia e da obstetrícia. Como parte desse compromisso com a educação médica continuada, a SOGIMIG oferece em seu portfólio o curso Atenção Médica à Diversidade de Gênero. A iniciativa busca capacitar profissionais para um atendimento ético, inclusivo e baseado em evidências científicas, contribuindo para que a diversidade sexual e de gênero seja incorporada de forma cada vez mais natural e qualificada na prática clínica. “Ninguém deve abrir mão de cuidar da própria saúde” Para pacientes que já sofreram discriminação ou deixaram de procurar atendimento por medo de experiências negativas, o membro da diretoria da SOGIMIG reforça uma mensagem de acolhimento e destaca que o cuidado com a vida deve ser sempre a prioridade. “A saúde é um direito constitucional de todas as pessoas. Ninguém deve abrir mão de cuidar de si mesmo por medo de sofrer preconceito. Precisamos reconquistar essas pessoas, mostrando que cada vez mais profissionais e instituições estão comprometidos com uma assistência ética, inclusiva, individualizada e baseada em evidências. Nós, ginecologistas e obstetras, temos a competência e a capacidade para promover essa inclusão de forma digna. Seus corpos, suas identidades e suas histórias merecem respeito”. Sobre a SOGIMIGA Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais é uma entidade filiada à Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Possui cerca de 2.000 associados e trabalha para a atualização científica e para a defesa e a valorização dos profissionais da área. ————————————————————————— Contato para imprensa:Flávio Amaral Assessoria de Imprensa Sogimig(31) 9 9235-9531 | flavio@maisinovacao.com.br+Inovação | Comunicação e Estratégias Inteligentes.

Pré-eclâmpsia
Pré-eclâmpsia: a ameaça silenciosa que ainda desafia a medicina e coloca mães e bebês em risco No Dia da Conscientização da Pré-eclâmpsia (22/5), especialista detalha os riscos, os sinais de alerta e as estratégias de prevenção que podem salvar vidas. Ela atinge entre 3% e 8% das gestações no Brasil. Em países em desenvolvimento, como o nosso, a incidência pode ser até quatro vezes maior do que em nações mais ricas. Na América Latina, responde por cerca de 20% a 25% das mortes maternas. E, segundo dados do Ministério da Saúde, está por trás de aproximadamente 82 óbitos a cada 100 mil nascidos vivos. Os números ajudam a dimensionar um problema que, apesar de conhecido e monitorado, ainda representa uma das principais ameaças à saúde de mães e bebês: a pré-eclâmpsia. É com esse pano de fundo que o Dia de Conscientização da doença, em 22 de maio, ganha ainda mais relevância. Não se trata de uma condição rara, tampouco simples. Como explica a ginecologista e obstetra Angelica Debs, especialista em medicina fetal e gravidez de alto risco e integrante da diretoria da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), a pré-eclâmpsia é uma doença complexa, multifatorial e muitas vezes imprevisível. “Ela não é apenas pressão alta na gravidez. É uma síndrome que pode comprometer vários órgãos da mulher e também o desenvolvimento do bebê”, afirma. O diagnóstico começa com a elevação da pressão arterial — acima de 140 por 90 mmHg — após a 20ª semana de gestação em uma paciente que antes não era hipertensa. Mas não para por aí. “Antigamente, o inchaço era um critério, e a perda de proteína na urina era obrigatória para o diagnóstico. Hoje, o conceito é mais amplo e foca nos sinais de danos a órgãos-alvo, o que torna o diagnóstico mais complexo e reforça a necessidade de acompanhamento “, explica a médica, acrescentando que alterações laboratoriais, sinais de lesão em órgãos como fígado e rins, ou indícios de insuficiência placentária já são suficientes para caracterizar o quadro. A placenta, aliás, está no centro da doença. Quando não se desenvolve adequadamente, passa a funcionar de forma insuficiente, comprometendo a chegada de nutrientes e também de oxigênio ao feto. “É como se fosse o pulmão do bebê. Se ela falha, todo o sistema é afetado”, resume. O resultado pode ser dramático: bebês com restrição de crescimento, maior risco de sofrimento fetal, prematuridade e até morte intrauterina. Um inimigo com muitas faces A pré-eclâmpsia também desafia pela forma como se apresenta. Não existe um único padrão. Algumas pacientes têm hipertensão evidente; outras manifestam apenas alterações silenciosas em exames laboratoriais, como elevação de enzimas hepáticas, queda de plaquetas ou complicações pulmonares. Essa variabilidade dificulta o diagnóstico e reforça a importância do acompanhamento contínuo. Hoje, a classificação da doença não fala mais em “leve” ou “grave”, mas em pré-eclâmpsia precoce — antes de 34 semanas, geralmente mais agressiva — e tardia, que responde por cerca de 70% dos casos. Há ainda os quadros que surgem já a termo, após 37 semanas. Em qualquer uma dessas formas, o risco existe. No extremo mais grave está a eclâmpsia, quando a paciente desenvolve convulsões causadas por alterações cerebrais. É uma emergência médica. Sintomas como dor de cabeça intensa, alterações visuais e dor epigástrica podem ser sinais de alerta. Sem intervenção rápida, o risco de morte materna e fetal é real. O impacto da doença não termina no parto. Mulheres que tiveram pré-eclâmpsia carregam um risco aumentado, ao longo da vida, para hipertensão crônica, síndrome metabólica e acidente vascular cerebral. As mulheres também podem enfrentar sequelas neurológicas — um aspecto ainda pouco visível nas estatísticas. Prevenção: as etapas que salvam vidas Apesar da gravidade, grande parte dos casos pode ser evitada ou controlada com diagnóstico precoce. O pré-natal é a principal ferramenta. Ainda no primeiro trimestre, é possível identificar mulheres com maior risco por meio da história clínica, da aferição da pressão arterial e de exames como o Doppler das artérias uterinas. Nesses casos, o uso de aspirina em baixa dose, iniciado antes da 16ª semana, pode reduzir drasticamente a incidência, especialmente das formas mais graves. O controle do ganho de peso e a prática de atividade física regular também são fatores de proteção importantes. Mas a realidade ainda está aquém do ideal. “São mortes evitáveis”, reforça a especialista. “Precisamos melhorar o acesso ao pré-natal de qualidade, investir em diagnóstico e ampliar políticas públicas.” Vivência e motivação É justamente esse cenário que move a atuação e a pesquisa de Angelica Debs há mais de duas décadas. Com apoio do CNPQ, ela investiga novas formas de prever a doença antes que ela se manifeste clinicamente. Uma das frentes mais promissoras é o estudo do Doppler da artéria oftálmica, um exame capaz de identificar alterações vasculares precoces na gestante. Mas o envolvimento com o tema não é apenas científico. É também pessoal. A médica viveu, na própria pele, a experiência da pré-eclâmpsia durante a gravidez da segunda filha, que nasceu prematura, com restrição de crescimento, e precisou de cuidados intensivos. “Foi uma experiência muito difícil, mas que me motivou a estudar a doença e ajudar outras mulheres a não passarem pelo mesmo”, relata. Histórias como essa ajudam a traduzir o que os números mostram: a pré-eclâmpsia não é apenas uma estatística. É uma condição que atravessa vidas, famílias e sistemas de saúde. E que, apesar de conhecida, ainda exige atenção constante. Diante de uma doença silenciosa e potencialmente devastadora, ignorar os sinais não é uma opção. “Diagnóstico precoce, acompanhamento adequado e acesso à informação podem fazer a diferença entre uma gestação saudável e um desfecho grave”, reforça a especialista. “Neste 22 de maio, a conscientização é o primeiro passo para mudar essa realidade”. Sobre a Sogimig A Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais é uma entidade filiada à Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Possui cerca de 2.000 associados e trabalha para a atualização científica e para a defesa e a valorização dos profissionais da

Reposição hormonal
Reposição hormonal: o que é verdade e o que é mito sobre o tratamento na menopausa Terapia pode melhorar qualidade de vida, mas ainda gera dúvidas sobre riscos, indicações e efeitos colaterais. A reposição hormonal ainda é cercada por dúvidas e receios entre muitas mulheres, especialmente durante o climatério, fase de transição para a menopausa. Indicada para aliviar sintomas causados pela queda dos hormônios, a terapia pode trazer benefícios importantes quando bem orientada, mas a desinformação ainda é um dos principais obstáculos para o acesso ao tratamento. Segundo a médica ginecologista e membro da diretoria da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (SOGIMIG), Luciana Calazans, a reposição hormonal consiste na administração de estrogênio, isolado ou combinado à progesterona, com o objetivo de compensar a redução fisiológica desses hormônios. “A principal indicação é no climatério, especialmente na perimenopausa e nos primeiros anos após a menopausa, quando os sintomas costumam impactar mais a qualidade de vida”, explica. Entre os sintomas mais comuns estão os fogachos (ondas de calor) e a sudorese noturna. No entanto, as queixas vão além. Alterações do sono, irritabilidade, dificuldade de concentração e sintomas geniturinários, como ressecamento vaginal e dor na relação, também estão entre os fatores que levam as mulheres a buscar o tratamento. Apesar dos benefícios, a terapia hormonal ainda é alvo de mitos, associados a interpretações antigas de estudos científicos. “Houve uma generalização dos riscos no passado, sem considerar o perfil das pacientes. Hoje sabemos que, quando bem indicada, a terapia tem um perfil de segurança muito mais favorável”, afirma a especialista. Um dos principais questionamentos está relacionado ao risco de câncer. De acordo com a médica, a resposta depende do tipo de terapia e das características da paciente. O uso combinado de estrogênio e progesterona pode estar associado a um discreto aumento do risco de câncer de mama em uso prolongado. Já o estrogênio isolado, indicado para mulheres que retiraram o útero, não demonstrou aumento desse risco. A indicação da reposição hormonal não é universal. Nem todas as mulheres precisam do tratamento. “A decisão deve considerar a presença de sintomas, o impacto na qualidade de vida e o perfil de risco individual”, explica. Além do controle dos fogachos, a terapia pode contribuir para melhora do sono e dos sintomas geniturinários. Em alguns casos, também pode impactar positivamente o humor e a vida sexual, especialmente quando reduz o desconforto durante a relação. Outro ponto importante é o momento de início do tratamento. Existe o conceito de “janela de oportunidade”, em que a reposição hormonal apresenta melhor relação entre riscos e benefícios. “O ideal é iniciar antes dos 60 anos ou até 10 anos após a menopausa”, destaca. A crença de que terapias hormonais “naturais” ou manipuladas são mais seguras também não se sustenta. Segundo a especialista, não há evidência de superioridade dessas formulações em relação às terapias convencionais, além de possíveis variações de dose e menor controle de qualidade. O uso de hormônios sem acompanhamento médico também representa risco. A automedicação pode levar a complicações como sangramentos anormais, alterações no endométrio e eventos tromboembólicos. Para mulheres que apresentam sintomas, mas ainda têm receio do tratamento, a orientação é buscar avaliação especializada. “A decisão deve ser baseada em informação de qualidade, análise individualizada e diálogo entre médica e paciente. Quando bem indicada, a terapia hormonal pode ser uma ferramenta segura e eficaz para melhorar a qualidade de vida”, conclui. Sobre a Sogimig A Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais é uma entidade filiada à Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Possui cerca de 2.000 associados e trabalha para a atualização científica e para a defesa e a valorização dos profissionais da área. ———————————– Contato para imprensa: Flávio Amaral Assessoria de Imprensa (31) 9 9235-9531 | flavio@maisinovacao.com.br +Inovação | Comunicação e Estratégias Inteligentes.
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