Uma noite de celebração, um resgate da memória e a certeza de um caminho trilhado com ética e amor à profissão marcaram a abertura da Semana do Médico, dia 14 de outubro, no Centro de Convenções e Eventos da AMMG, com a homenagem aos Jubilados de Ouro, médicos com 50 anos de formados, e aos Jubilados de Platina, com 70 anos de formados. A Semana do Médico é uma promoção da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), da Academia Mineira de Medicina (AMM), do Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRM MG), do Conselho Superior das Entidades Médicas de Minas Gerais (Cosemmg) e do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed MG).
Na abertura, o presidente da AMMG, Gabriel de Almeida Silva Júnior, falou sobre as trajetórias dos homenageados construídas com conhecimento, compromisso, responsabilidade e, sobretudo, humanidade. “Cinquenta anos de medicina representam muito mais do que uma longa carreira. Representam milhares de pacientes acolhidos, famílias amparadas, decisões difíceis, desafios superados e vidas transformadas. Também a disposição permanente de aprender, mesmo diante de uma profissão que se renova a cada dia.”
Almeida ainda lembrou a honra em celebrar quatro profissionais que completaram 70 anos de profissão. “Sete décadas dedicadas à medicina constituem um testemunho extraordinário de vocação, perseverança e compromisso com o próximo. Suas trajetórias são um patrimônio da nossa profissão e uma fonte de inspiração para as novas gerações.”
Em sua fala, o presidente da AMMG ainda celebrou a presença da médica perita Alda Lopes de OIiveira Costa, que do alto dos seus 101 anos, “é uma representação não apenas de longevidade, mas também de pioneirismo, coragem e a capacidade de abrir caminhos em uma época em que tantas portas ainda estavam fechadas às mulheres”.
Compuseram ainda a mesa de abertura, a presidente da AMM, Elizabeth Costa Dias; o presidente do CRM MG, Ricardo Hernane Gonçalves Lacerda de Oliveira; o presidente do Sinmed MG, André Christiano dos Santos; o presidente da AMMG, gestão 2023/2026, Fábio Augusto de Castro Guerra; a conselheira Cibele Alves Carvalho, representando o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o reitor da Faculdade de Medicina da Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG), José Celso Guerra Pinto Coelho.
Para o ex-presidente da AMMG, Fábio Augusto de Castro Guerra, a celebração deste ano tem um gosto especial. Além de coroar sua passagem pela entidade, marca a homenagem ao médico Guy Freire Jannotti, seu sogro, que muito lhe inspirou durante sua formação e caminho profissional. “Tenho o privilégio de acompanhar de perto o desenvolvimento desta instituição, uma história que também faz parte da minha própria história e da minha família. Ao longo dos anos, aprendi que a AMMG é muito mais do que uma entidade representativa. É uma grande família, formada por pessoas que compartilham valores, ideais e o compromisso com a medicina.”
Em nome dos homenageados
Representando os homenageados da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG) pelo Jubileu de Ouro, o médico endocrinologista José Côdo Albino Dias comemorou o encontro como uma possiblidade de reviver tempos passados, estar com amigos, professores e grandes nomes que fizeram parte desta história. “É com grande orgulho que estamos aqui, hoje, vivendo este momento. Iniciamos nossa jornada cheio de sonhos, com plantões intermináveis, um trabalho exaustivo que, ao final, era compensado pelo sorriso rosto de um paciente, pela gratidão de uma família e o choro de uma criança ao nascer. Chegamos aqui pelo fator humano e fieis aos preceitos de honestidade, caridade e pela ciência. Nosso legado não se deve aos títulos que conquistamos, mas sim as vidas que cuidados e acolhemos.”
Aos formados da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (FM UFMG), o jubilado Victor Hugo de Melo fez a sua homenagem. “Hoje, olhamos para trás com a certeza de que fomos uma geração privilegiada. Vivemos uma medicina da anamnese cuidadosa, da boa relação médico paciente. E mesmo com todos os avanços ao longo dessas cinco décadas, temos a certeza que os preceitos de empatia, ética e tantos outros preceitos, permanecem em nossa profissão.”
Aos 70 anos de formados, as homenagens foram feitas aos médicos Guy Freire Janotti, José Expedito Janotti, José Salvador Silva e Wilson Abrantes, pelas trajetórias que inspiram e expressam uma vida de dedicação à medicina. Para Gui Janotti foi um momento de grande alegria. “Minha homenagem aos que já se foram e não puderam estar aqui.”
Recebendo a honraria em nome de seu pai, o médico José Henrique Salvador Filho falou da dedicação, amor pela medicina e legado que ele deixou e deixa ainda exercendo sua marca ao alto dos seus 95 anos. “Meu pai vive a vida apaixonadamente. Seu lema é servir e foi por isso que descobriu diversas maneiras de se realizar e, uma delas, foi fundando o Hospital Mater Dei, contaminando positivamente algumas gerações de médicos não só de nossa família como de outras também.”
Finalizando o evento, a homenagem especial feita à Alda Lopes de Oliveira Costa, formada pela UFMG, foi a primeira médica, em 1952, a se tornar médica legista. Pioneira em uma área, até então, predominantemente masculina, abriu caminhos para outras mulheres e construiu uma trajetória marcada pelo conhecimento, ética e dedicação à medicina. “A ciência nos faz felizes porquê a usamos para praticar o bem. Como médica legista sempre busquei respeito aos mortos e empatia junto a seus familiares. Sabia que meu papel era amenizar a dor que estava sendo sofrida. Obrigada a todos.”
Os homenageados e convidados ainda celebraram o encontro com um coquetel.
Fotos: Caio Leme
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