Dia: 29/09/2026

AMMG em dia

Manifesto AMB

Manifesto da Associação Médica Brasileira por uma Medicina de qualidade e uma saúde melhor para o Brasil Aos candidatos à Presidência da República e à sociedade brasileira A Associação Médica Brasileira (AMB) é uma instituição que há 75 anos representa a Medicina brasileira, reúne 27 Federadas e 54 Sociedades de Especialidades e tem como missão defender a dignidade profissional do médico, promover uma Medicina de qualidade, comprometida com o cuidado de cada paciente e com a saúde da população brasileira. Neste momento em que o Brasil se prepara para escolher seu próximo presidente, a AMB apresenta uma agenda de 12 PRIORIDADES para a saúde brasileira. O propósito é contribuir para que cada pessoa, em todas as regiões do país, tenha acesso a uma assistência digna, segura e de qualidade. A saúde não pode ser apenas uma política de governo. Deve ser uma política permanente de Estado, baseada em evidências, planejamento, avaliação de resultados e continuidade das políticas que funcionam AMB reforça que esta não é uma agenda partidária. É uma agenda de Estado. O Brasil da saúde em números (Fontes: Ministério da Saúde, MEC/Inep, IBGE e Demografia Médica 2025/FMUSP/AMB/MS). · Há mais de 600 mil médicos. O Brasil ultrapassou a marca de 600 mil médicos e vive uma rápida expansão, com muitos profissionais sem formação adequada. Há necessidade de avaliação dessa formação e das particularidades de cada região. · 40,9% dos médicos são generalistas. Dos cerca de 597 mil médicos em atividade em 2024, mais de 40% eram generalistas, reforçando a importância da formação de especialistas e da residência médica. Há urgência em supervisionar e qualificar melhor os cursos, além de aumentar e qualificar as vagas da residência. · No Sudeste estão 55,4% dos especialistas. Mais da metade dos especialistas está concentrada na região, evidenciando a necessidade de políticas de melhor distribuição e fixação de médicos, assim como melhores condições de trabalho. · Há hoje no Brasil 494 cursos de Medicina e 351 cursos foram avaliados pelo Enamed em 2025. Na primeira edição do exame, 107 cursos (30,5%) receberam conceitos 1 ou 2, considerados insatisfatórios, o que demonstra a necessidade urgente de avaliação aprofundada e de medidas corretoras. · Já há mais de 50% de mulheres entre os médicos atuando no Brasil, com tendência de aumento deste número, sobretudo em algumas especialidades. É um fato que requer várias reflexões e políticas específicas. · Há 53,1 milhões de beneficiários de planos de saúde. Em julho de 2026, a saúde suplementar registrava mais de 53 milhões de vínculos em planos de assistência médica, o que reforça a necessidade de uma atenção e avaliação mais críticas. · Há 2,8 bilhões de atendimentos anuais do SUS. O SUS realiza bilhões de procedimentos por ano, da atenção ambulatorial à alta complexidade, e atende cerca de 180 milhões de brasileiros, demonstrando a necessidade de aperfeiçoamento constante, atenção e ampliação. · Há 22,2 milhões de brasileiros com 65 anos ou mais. Segundo o Censo 2022, essa população cresceu 57,4% em 12 anos e já representa 10,9% da população brasileira. Esses números oficiais mostram que o desafio do Brasil não é apenas ampliar o número de profissionais e serviços, mas assegurar qualificação, distribuição adequada, valorização profissional e segurança para os pacientes. A saúde da população representa um dos pilares de uma sociedade justa, desenvolvida e comprometida com a dignidade humana. Propostas AMB 1. Formação médica de qualidade O Brasil precisa formar médicos em quantidade adequada às suas necessidades, mas, sobretudo, com qualidade. A expansão de cursos e vagas deve ser acompanhada de avaliação rigorosa, infraestrutura adequada, corpo docente qualificado e campos de prática estruturados. A residência médica deve ser fortalecida e ampliada como instrumento estratégico para a formação de especialistas, considerando as necessidades regionais e epidemiológicas do país. 2. Exame de Proficiência Médica A AMB defende, há anos, a criação de um Exame Nacional de Proficiência Médica como requisito para o exercício profissional, a exemplo do que ocorre em outras profissões regulamentadas. A proposta ganha ainda mais relevância diante dos resultados do Enamed 2025, que evidenciaram desafios na qualidade da formação médica. O exame DEVE SER REALIZADO pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e demais entidades médicas, assegurando que o médico recém-formado possua os conhecimentos, habilidades e competências necessários para exercer a profissão com segurança e responsabilidade. Esta avaliação busca oferecer uma garantia aos pacientes. 3. Especialização e segurança do paciente A especialização médica é garantia de qualificação profissional e proteção da sociedade. A AMB defende critérios rigorosos e transparentes para o reconhecimento das especialidades e a preservação da certificação realizada em conjunto com as Sociedades de Especialidades. Qualificação médica é segurança para o paciente. 4. Políticas públicas voltadas para as mulheres médicas É fundamental desenvolver políticas que apoiem as mulheres médicas na assistência, ensino, pesquisa e posições de liderança, em programas de apoio à gestação, amamentação e identificação de desigualdade de gênero. 5. Fortalecimento do SUS O Sistema Único de Saúde é patrimônio da sociedade brasileira e deve ser fortalecido como política de Estado. É necessário garantir financiamento adequado, gestão eficiente, redução das desigualdades regionais, fortalecimento da atenção primária, ampliação do acesso à média e alta complexidade e redução das filas. 6. Valorização e distribuição dos médicos O Brasil não enfrenta apenas um problema quantitativo de médicos. Não precisamos de MAIS MÉDICOS, precisamos, sim, de distribuição adequada, qualificação, formação, especialização e fixação profissional. E isto só será possível com o fortalecimento das residências médicas e com uma política nacional da carreira médica. A valorização deve alcançar os médicos que atuam no SUS, na saúde suplementar, na assistência privada, na pesquisa e na docência. A AMB defende a criação de uma Política Nacional de Carreira Médica, especialmente para o SUS, com critérios de ingresso, progressão, remuneração, educação continuada, condições adequadas de trabalho e mecanismos de fixação em regiões de maior necessidade. 7. Autonomia médica e defesa da Medicina O exercício da Medicina deve estar fundamentado em ciência, ética, responsabilidade e autonomia técnica. A atuação multiprofissional é essencial, mas deve respeitar as competências e

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