Dia: 10/10/2025

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Debate: Câncer de mama

Consulta pública do órgão regulador dos planos de saúde gerou controvérsia com entidades médicas e foi discutida em audiência pública no dia 9 de outubro Com o objetivo de discutir a realização de mamografia em mulheres a partir de 40 anos tanto na saúde suplementar como no Sistema Único de Saúde (SUS), a reunião demonstrou que a importância da antecipação da faixa etária alvo dos exames é consenso entre os especialistas da área.  O deputado Arlen Santiago (Avante), que solicitou a audiência, fez uma breve exposição sobre os dados de câncer de mama no Brasil. O parlamentar lembrou que a mamografia é considerada o exame mais eficaz para detecção precoce do câncer de mama. Pesquisas demonstram que até 23% das mortes causadas pela doença entre mulheres de 40 a 50 anos poderiam ser evitadas com a realização da mamografia preventiva, o que traria um impacto financeiro de R$ 100 milhões anuais para o Estado. Kátia Cursi, da ANS, destacou que em nenhum momento o órgão pensou em restringir o acesso das mulheres à mamografia, que deve ser feita sempre mediante prescrição médica. Segundo ela, foi disseminada na mídia uma compreensão errônea sobre a Consulta Pública 144, disponibilizada pela agência.  “O objetivo da consulta foi instituir o Programa de Certificação de Boas Práticas em Atenção à Saúde das Operadoras de Planos Privados de Assistência à Saúde. Nesse ponto, ela recomendava a busca ativa das pacientes entre 50 e 69 anos que não haviam realizado o exame, mas de forma alguma restringia a realização a partir dos 40 anos. Inclusive, para mulheres com fatores de alto risco, esse rastreamento pode acontecer antes disso”, explicou. Benefícios do exame De acordo com Marco Matias, representante do Conselho Regional de Medicina (CRM), os benefícios da realização do exame em mulheres mais jovens já foi demonstrado, mas são necessárias políticas públicas que assegurem a medida. “Não basta apenas a realização do exame, precisamos garantir que também sejam realizadas a biópsia, a histologia e a imunohistoquímica. Também é importante garantir acesso a diversos profissionais responsáveis pelo cuidado, como mastologista, oncologista, radiologista, entre outros”, disse. Participação da AMMG Gabriel da Silva Júnior, vice-presidente da Associação Médica de Minas Gerais, acredita que é preciso ampliar o que se discute na campanha Outubro Rosa. “Como médicos, além de diagnosticar e tratar, temos que levar informações de promoção da saúde, por meio de exercícios físicos, dieta adequada. É preciso criar condições para a população realmente ter melhor qualidade de vida”, frisou. A oncologista Aline Chaves, da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), lembrou que os médicos da área têm contato com as pacientes quando elas já estão com diagnóstico em mãos. “O pior momento para um paciente oncológico é quando ele tem um câncer e ainda não começou o tratamento. Investir em rastreamento precoce é poder falar para a mulher que ela não precisará fazer quimioterapia porque o tumor está em estágio inicial”, salientou. A segurança dos profissionais que realizam exames de imagem também foi comentada na audiência. Leandro Marcelo Prado, presidente do Conselho Regional de Técnicos em Radiologia, falou da importância de ter um programa de qualidade para os mamógrafos, o que permite avaliar se eles estão adequadamente calibrados para evitar quantidade de radiação fora do padrão. Estudos mostram que 3% dos equipamentos no Brasil são certificados. “É importante acompanhar toda a cadeia, desde a mulher que precisa fazer o exame até a qualidade desses equipamentos, mas não de forma punitiva. Também é necessário oportunizar treinamento dos profissionais para operar os equipamentos em tempo hábil” disse. Cuidados em Minas Gerais A representante da Secretaria de Estado de Saúde, Fernanda Vilarino Jorge, destacou ações em curso no Estado em relação à doença. Ela citou a chegada de 64 novos mamógrafos, que vão operar em diferentes regionais de Minas Gerais. “O programa Cuidar na Hora Certa busca acompanhar toda a jornada da mulher ao longo do cuidado, mas como a atenção é regionalizada, contamos muito com as informações do gestor municipal. A ideia é que a mulher realize a biópsia até 60 dias após a mamografia”, relatou. A especialista também apresentou a iniciativa da implantação do profissional integrador, que será o agente que vai acompanhar a jornada da mamografia até a punção. A ideia é que esse profissional faça parte das equipes especializadas.  Fonte: ALMG Foto: Luiz Santana

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Audiência ALMG

Aumento de casos de Chagas no Norte de Minas preocupa autoridades Segundo especialistas ouvidos nesta quinta (9), doença tem atingido públicos e locais atípicos, mostrando que é preciso adotar novas estratégias de prevenção e combate. O aumento dos casos de Doença de Chagas no Norte de Minas, com contaminação de faixas etárias e locais historicamente menos afetados, preocupa autoridades de todos os entes da federação. Na avaliação de alguns convidados da reunião da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), nesta quinta-feira (9/10/25), a criação dos projetos federais Integra Chagas Brasil e Cuida Chagas jogou luz sobre esse problema negligenciado há anos, fazendo com que aumentassem as notificações dessa patologia.“Não estamos falando de recrudescimento de casos. Na verdade, os projetos estão dando visibilidade a essas pessoas que sempre tiveram a doença”, explicou Andrea Silvestre de Sousa, pesquisadora da Fiocruz nos dois projetos. Ela explicou que a doença tem prevalência em áreas de maior vulnerabilidade social, como evidencia o maior número de casos em Espinosa, Porteirinha e Janaúba, no Norte de Minas. Também pesquisadora dos dois projetos, em Espinosa, Eliana Amorim de Souza reforçou que a proposta é desenvolver modelos de estudo e atuação para a doença que possam ser replicados em outros territórios. O município é basicamente rural (30% a 40% no campo), com 17% de analfabetos, com alta demanda por ações pela moradia e na saúde. “São 4,6 milhões de pessoas com Chagas no Brasil, e o Norte de Minas é a região com a taxa da doença mais severa, maior que a do Brasil”, disse. Ela completou o projeto construiu uma linha de cuidado para depois ser instituído o teste rápido, feito pela Biomanguinhos. Em 15 minutos, o teste consegue fazer a triagem entre pessoas com possibilidade de ter Chagas (as quais devem fazer exames comprobatórios posteriormente) e outras sem essa probabilidade. Em Espinosa, com 30.400 habitantes, 10 mil testes foram realizados, confirmando 600 casos da doença. Em Porteirinha, com população semelhantes, de quase 9 mil testes, 550 deram positivo. “Temos jovens e adultos com a doença, mostrando que ela não é exclusiva do idoso”, informou. Eliana Souza acrescentou que 31% dos acometidos tem sintomas cardíacos ou digestivos, o que demanda serviços de saúde de média e alta complexidade da região. Transmissão Michella Assunção Roque, cardiologista em Espinosa, integra o grupo de estudos sobre doenças negligenciadas da Sociedade Mineira de Cardiologia e buscou desmistificar algumas falas em relação à Doença de Chagas: “Provocada pela infecção por Tripanossoma Crusis, a doença é transmitida, não só pelo barbeiro, mas também da mãe para o filho, por alimentos contaminados e por transfusão de sangue”. Do total de acometidos, 70% passam por fase crônica indeterminada, em que não há sintomas, e 30% estão na fase crônica determinada, marcada por problemas no fígado e no coração. Entre os problemas mais comuns estão a dilatação do esôfago, levando a dificuldade de engolir, e a dilatação do intestino e do coração (como arritmia, cardiopatias), além de acidentes vasculares cerebrais. Ela lembrou das dificuldades para atender os pacientes em Espinosa, onde o foco principal da doença está a mais de 80 km da sede do município. “Da área urbana até o último território rural são 110 km, levando-se até 4 horas de viagem para chegar até lá”, disse. Apesar de o município contar com 100% de cobertura na saúde e 12 equipes de saúde da família, Michella pediu o envio de testes rápidos e a ampliação da média e da alta complexidade para a região, considerados gargalos nas cidades.Lileia Gonçalves Diotaiuti, pesquisadora do Instituto René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz, respondeu a um questionamento do deputado Arlen Santiago (Avante), que solicitou a audiência. Ele perguntou se no combate ao barbeiro, usava-se ainda o BHC na borrifação. Ela respondeu que essa substância foi proibida em 1985, pelo impacto ambiental, e substituída pelos chamados piretroides. Segundo a pesquisadora, atualmente, há bons instrumentos para controle dos barbeiros, faltando apenas apoio aos municípios para que consigam melhorar sua estrutura e assumir o trabalho. Adaptação dos barbeiros Manoel da Costa Rocha, 1º vice-presidente da Academia Mineira de Medicina e coordenador do Serviço de Referência em Doença de Chagas do Hospital das Clínicas, representando o presidente da AMMG, Fábio Augusto de Castro Guerra, lembrou que o controle vetorial da Doença de Chagas corre paralelamente à melhoria da qualidade de vida da população. Ele alertou que a patologia, antes restrita a casas de pau a pique em áreas rurais, agora atinge a zona urbana, em função da adaptação dos barbeiros. Por isso, propôs o reforço das ações de vigilância epidemiológica. Normanda Souza Melo, cientista e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, confirmou a informação de que o triatomíneo aprendeu a se urbanizar. Pesquisando Chagas em São Francisco (Norte), ela detectou que a testagem negativa da contaminação por esse barbeiro pode falhar às vezes, produzindo um “falso negativo”. Marcela Lencine Ferraz, diretora de Vigilância de Doenças Transmissíveis e Imunização da Secretaria de Estado de Saúde, enfatizou que 3% das casas do Norte de Minas estão infestadas pelo barbeiro. “É preciso fortalecer a vigilância entomológica nas casas”, propôs. Ela divulgou a teleconsultoria oferecida pela SES para várias doenças, entre elas, a de Chagas, destinada aos profissionais de saúde. Acometidos por Chagas criam associação em Espinosa Edivar Pereira da Silva, presidente da Associação de Pessoas Acometidas por Chagas de Espinosa, reclamou que os sintomas da doença provocam um sofrimento terrível. A associação teria surgido para lutar pela melhoria do tratamento. “Acho que a negligência é pior que a doença – as políticas públicas são fracas e não tem nenhuma delas em nível estadual. Queremos projetos de educação e prevenção, para que não aconteçam novas contaminações”, reivindicou. Ele destacou também que os pacientes têm dificuldades para fazer exames de imagem e tratamento digestivo. “Peço a parceria da Assembleia para mobilizarmos políticas públicas de tratamento e de divulgação da doença”, solicitou. Alberto Novais Ramos, pesquisador da Universidade Federal do Ceará, explicou que a doença tem relação direta com fatores diversos como o

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