Dia: 12/03/2025

AMMG em dia

Antes dos 40 anos

Entidades médicas recomendam como padrão ouro o rastreamento com mamografia a partir dos 40 anos para todas as mulheres As mulheres com menos de 50 anos e com mais de 70 devem ter garantido acesso aos exames de rastreamento de câncer de mama pela rede de planos de saúde no País. Essa é a principal conclusão de parecer técnico encaminhado na quarta-feira (26) à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em resposta ao pedido de informações feito pela autarquia às entidades médicas que acompanham o tema. O documento elaborado pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), por meio de sua Comissão Nacional de Mamografia (CNM), faz uma análise criteriosa do impacto negativo de uma possível restrição a esse serviço e aponta os benefícios de sua extensão à população dessas faixas etárias. O texto também leva a assinatura da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) e Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), e conta com o aval da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama). Para o mastologista e vice-presidente da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), Gabriel de Almeida Silva Júnior, que também apoia esse movimento, é fundamental levar essa informação ao público de maneira mais simples possível e massiva. “Muitas mulheres não sabem quando começar a prevenção e, pior, diante disso, não lutam por seus direitos e ficam à mercê de um diagnóstico tardio, podendo levar a descoberta da doença em estágios preocupantes, onde não há muito o que se fazer.” Além disso, o diagnóstico nos estágios iniciais melhora a qualidade de vida das pacientes e reduz custos com tratamentos oncológicos complexos. Estudos analisados pelo CBR apontam que rastrear a doença entre 40 e 74 anos pode contribuir para a queda na mortalidade. “Estes achados levantam a preocupação quanto à necessidade de reconsiderar as estratégias de prevenção primária e secundária nesse grupo de mulheres jovens, garantindo-lhes acesso aos exames de rastreamento por meio dos planos de saúde e na rede pública de atendimento”, destaca a presidente da Comissão Nacional de Mamografia e vice-presidente da Sociedade Mineira de Radiologia (SMR), Ivie Braga de Paula. ACESSE A ÍNTEGRA DO PARECER TÉCNICO SOBRE ACESSO A MAMOGRAFIA O posicionamento entra no escopo da discussão promovida pela ANS por meio de consulta pública que propõe a inclusão de medidas proativas nos planos critérios de saúde para o rastreamento do câncer de mama em mulheres de 50 a 69 anos, com mamografias a cada dois anos. Especialistas e entidades médicas acreditam que a iniciativa da Agência abre espaço para que as operadoras limitem o acesso dessa população a esses exames. Detecção precoce Na avaliação do texto assinado pelas entidades, entre as vantagens do rastreamento do câncer de mama na população geral apontadas no trabalho, que agora está sob a análise da ANS, estão a detecção precoce de tumores, o que reduz as chances de tratamentos cirúrgicos extensos, incluindo a mastectomia, e de necessidade de quimioterapia. Além disso, o diagnóstico precoce gera maior qualidade de vida para as mulheres que tiveram a doença, reduz custos com tratamentos oncológicos complexos e, sobretudo, estimula a queda na mortalidade provocada pela doença em mulheres com idades entre 40 e 74 anos. Para chegar a essa conclusão, foram analisados dezenas de estudos publicados em algumas das principais revistas científicas do mundo. A incidência do câncer de mama tem aumentado no mundo nas últimas décadas, com uma taxa de crescimento de 0,5% ao ano. Apesar desse aumento global, persistem disparidades significativas entre regiões com diferentes níveis socioeconômicos. Um estudo que avaliou dados de 185 países demonstrou que a incidência oscilou de 25 casos por 100 mil mulheres em países de média e baixa renda (incluindo regiões da África e Leste Asiático) até mais de 85 casos por 100 mil mulheres em países de alta renda (como os situados na América do Norte, Europa e Austrália). No Brasil, para o triênio de 2023 a 2025, estima-se que ocorrerão 73.610 novos casos de câncer de mama por ano. Isso corresponde a um risco estimado de 66,54 novos casos para cada 100 mil mulheres. Esses números colocam o câncer de mama como o mais incidente entre as mulheres em todas as regiões brasileiras, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) que revelam que a distribuição geográfica dessa doença no País revela uma heterogeneidade significativa. A maior incidência está presente no Sudeste (84,46 por 100 mil mulheres), seguido pelo Sul (71,44 por 100 mil), Centro-Oeste (57,28 por 100 mil), Nordeste (52,20 por 100 mil) e Norte (24,99 por 100 mil). Fatores de risco No documento, as entidades apontam que essa variabilidade regional pode ser atribuída a uma combinação de fatores, como diferenças na estrutura populacional, nos níveis de exposição a fatores de risco conhecidos (histórico familiar, fatores genéticos, hábitos de vida, entre outros) e no acesso a serviços de saúde, incluindo programas de rastreamento e diagnóstico precoce. Além disso, os dados revelam que a distribuição etária no câncer de mama no Brasil é diferente comparativamente aos países desenvolvidos. No País, há maior prevalência de tumores nas mulheres na pré-menopausa, abaixo dos 50 anos, conforme revelam uma série de trabalhos analisados. O estudo multicêntrico Amazona I, com representatividade de várias regiões brasileiras, demonstrou que 12% dos tumores ocorreram antes dos 40 anos, 32% dos 40 aos 50 anos e 56% acima dos 50 anos. Já nos Estados Unidos, 4% dos casos de câncer ocorreram antes dos 40 anos, 13% entre 40-49 anos, e 83% acima de 50 anos. Essa diferença também é observada em outros países em desenvolvimento. Pacientes jovens O parecer técnico aponta ainda que no Brasil, como em outras partes do mundo, se percebe o aumento dos tumores em pacientes jovens, abaixo de 40 anos, geralmente mais agressivos e com maior dimensão no diagnóstico. O documento mostra que um estudo com pacientes tratadas de câncer de mama entre 2009 e 2020 mostrou um aumento na proporção de casos da doença no subgrupo abaixo de 40 anos,

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